segunda-feira, 30 de março de 2015

Polícia acredita que quadrilha parcialmente morta tem cerca de vinte integrantes

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Os sete criminosos mortos na “Operação Hefesto”, que foi desencadeada neste domingo (29), são suspeitos de participação em vários assaltos a bancos no Rio Grande do Norte. Os detalhes da ação foram fornecidos na manhã desta segunda-feira (30), em coletiva de imprensa no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp).

De acordo com Danielle Filgueira, adjunta da Delegacia Especial de Combate ao Crime Organizado (Deicor), a quadrilha vem sendo investigada há mais de dois meses. “Começamos a receber informações de que essa quadrilha vinha atuando em roubos a bancos que vinham acontecendo pelo Estado. Descobrimos que eles estavam planejando um roubo a uma agência bancária na cidade de Currais Novos. Foi aí que decidimos que era o momento certo de fazer a abordagem e realizar as prisões”.

Embora já existissem informações de que os criminosos estavam em Currais Novos, a polícia precisou ter cuidado para realizar a abordagem. O motivo é que se sabia que a quadrilha tinha um arsenal muito grande de armas de fogo. “Não podíamos simplesmente chegar e dar voz de prisão. A possibilidade de uma resistência era muito grande. Por isso que pedimos apoio do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Também sabíamos que os criminosos tinham uma grande quantidade de explosivos”.

Antes de assaltar em Currais Novos, a quadrilha decidiu tentar uma ação criminosa em uma outra agência da região. Entretanto, quando já estavam se aproximando do local, eles foram avistados por uma viatura da Polícia Militar e decidiram abortar. “Eles se esconderam em uma região de mata e abandonaram o carro. Como sabíamos que eles tinham um armamento muito forte, achamos por bem esperar que eles saíssem de dentro da mata. Deixamos policiais de vigia. Até que na madrugada, um táxi veio pegá-los. Passamos a seguir o táxi e então, quando eles se distanciaram da zona urbana, nós resolvemos fazer a abordagem”, explicou Danielle.

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Foi nesse momento que a “tensão” ficou elevada. O motorista do bando, identificado como João Maria Rocha, o “Catatau”, saiu do veículo e se entregou, sem resistência. Porém os outros sete não fizeram o mesmo. “Nós ficamos solicitando que os outros integrantes do veículo saíssem. Um deles saiu, mas estava armado de uma escopeta calibre 12 e disparou contra a polícia. Tivemos que revidar e ele foi neutralizado. Os outros seis ficaram no carro e não saíram. Em um determinado momento, eles começaram a disparar contra os policiais. Também revidamos e todos foram abatidos”, disse o major Rodrigo Trigueiro, comandante do Bope.

Para fazer a abordagem aos criminosos foram utilizados 16 agentes da Polícia Civil, além de quatro integrantes do Bope. “Todas as operações que têm acontecido no sistema de segurança do Estado, tem tido uma integração entre os órgãos. Isso vem dando um resultado muito positivo. A intenção inicial de todos era prender, levar os criminosos para a justiça. Porém, diante da resposta dos criminosos, os policiais precisaram agir desta forma, para garantir a segurança da população”. Dos sete mortos, apenas dois foram identificados até agora. João batista Nunes da Silva era foragido da justiça. Ele é apontado como autor de diversos crimes, entre eles latrocínio, nas cidades de Alexandria, Ceará-Mirim, Natal, Parnamirim, Assu e Ipanguaçu.

Já Isaías Leandro Lopes, mais conhecido como o “Gordo Isaías”, era um dos líderes da quadrilha. “As informações que temos é que ele falava que era matar ou morrer para ele. Que ele não iria voltar para a cadeia”, afirmou a delegada Danielle Filgueira. O “Gordo Isaías” cumpria pena em regime semiaberto na Penitenciária Estadual de Parnamirim (PEP). Segundo Danille, ele era considerado de alta periculosidade. “Depois da operação, nós levamos a companheira de Isaías para depor. Ela nos falou que não queria participar de nada. Por isso o Isaías batia muito nela. Ele disse que apanhava muito dele por não querer participar. Quando era mais jovem, o Isaías também era considerado um terror em Mãe Luíza. Ele assaltava direto por lá. Depois ele viu a oportunidade de passar a assaltar bancos”.

O motorista da quadrilha, Catatau, também foi levado para interrogatório na Deicor. Lá, ele disse que estava sendo forçado a participar dos assaltos. “Ele chegou até a falar que tinha sido sequestrado. Mas nós sabemos que isso não é verdade. Ele não só participava dos assaltos por vontade própria, como ele também não era contratado, mas sim um integrante permanente da quadrilha”, frisou a adjunta da Deicor. O outro preso foi Kleiton Carrol Gomes, o “Magão”. Ele foi detido em uma residência na Grande Natal. Com Magão a polícia encontrou diversas armas que eram de propriedade da quadrilha.

Mesmo depois das sete mortes e duas prisões, Danielle Filgueira destacou que as investigações da “Operação Hefesto” continuam, já que a quadrilha seria bem maior. “Acreditamos que a quadrilha tenha cerca de 20 integrantes, pelo menos. Além disso, é provável que a quadrilha tenha ramificações, ou seja, que os integrantes dela participem de outras quadrilhas. Por isso, muitas coisas não podemos revelar para não atrapalhar as investigações”.

Os outros cinco mortos no confronto ainda estão em processo de identificação no Itep. Além disso, as armas e balas encontradas com a quadrilha serão comparadas com projéteis recolhidos em outros assaltos a bancos.


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