quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

"É possível", diz Luma Andrade, travesti cotada para ser reitora no Ceará


O slogan é forte, "Luma Lá", e faz parte da campanha organizada por um grupo de alunos que apoia seu nome para reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), na cidade de Redenção, no Ceará.

Luma sabe que é tão qualificada quanto os outros docentes da instituição, mas lembra que a escolha do novo reitor cabe ao Ministro da Educação. O fato de ter recebido o apoio de um grupo de alunos, porém, além de uma honra é uma vitória pelo exemplo que estabelece para transgêneros como ela: o de que "é possível".

"A história da minha vida quer dizer isso: 'É possível'. É possível ser travesti e ser professora, é possível ser travesti e ser doutora, é possível ser travesti e ser gestora e agora é possível até ser reitora, um espaço em que jamais se pensou", disse, em entrevista por telefone à BBC Brasil.

TRAVESTI, POR FAVOR

Luma veio ao mundo como João, 37 anos atrás, e conseguiu trilhar um caminho muito diferente de muitos transgêneros como ela, frequentemente fadados à marginalização e à prostituição. Já adulta, ela colocou próteses nos seios e realizou no ano passado um procedimento de feminilização facial, mas nunca fez cirurgia de mudança do sexo.

A professora prefere se definir como travesti a usar termos como "transgênero", por conta do histórico de preconceito e violência sofrido por travestis. "Prefiro por uma questão política, de quebra. Eu poderia usar um termo mais leve, mas não é por aí. A ideia é 'positivar'. As pessoas têm orgulho de ser travesti. Por uma questão política, me afirmo como travesti."


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