quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

RN lidera ranking de mortes violentas de jovens entre 15 e 24 anos, segundo IBGE

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O Rio Grande do Norte aparece em destaque em mais uma lista relacionada à insegurança. O Estado é o que apresenta a maior porcentagem em relação ao número de mortes violentas entre os jovens de 15 a 24 anos. O dado foi apresentado em uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com números do ano de 2013.

No estudo chamado Estatísticas do Registro Civil 2013, o RN aparece com 2221 mortes violentas (acidentes de trânsito, homicídios e suicídios), sendo 1954 do sexo masculino e 267 do feminino. Durante o período, 918 jovens entre 15 e 24 anos morreram e desse total 79,3% (728) foram vítimas de mortes violentas. O RN é seguido por Bahia (78,9%) e Sergipe (78,1%). Cabe também destacar que este é um fenômeno que manteve percentuais elevados na maior parte dos Estados brasileiros. No caso das mulheres, os maiores percentuais de óbitos violentos juvenis foram observados no Rio Grande do Sul, Tocantins e Rio Grande do Norte, respectivamente, 55,6%, 50,0% e 46,9%.

“Essa pesquisa do IBGE vem reforçar a preocupação que os Direitos Humanos vêm tendo ao longo dos últimos anos no Estado. Infelizmente hoje em dia os jovens de comunidades mais carentes não têm outra opção a não ser viver no mundo das drogas. As políticas públicas para esses jovens são praticamente inexistentes e os números mostram que é preciso fazer alguma coisa para mudar essa situação. Essa pesquisa se refere ao ano de 2013, mas em 2014 esses números serão ainda pior de acordo com o que nós estamos apurando”, afirmou Marcos Dionísio, presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos do RN.

Segundo Marcos, um dos maiores desafios do próximo Governo é exatamente trazer novas políticas públicas para tentar mudar essa realidade. “Os números estão aí para todo mundo analisar. São várias pesquisas que apontam a necessidade de criar essas políticas públicas. O novo Governo precisa reunir as mais diversas áreas, assim como a sociedade para conseguir encontrar uma solução para os nossos jovens, caso contrário a cada ano nós teremos números ainda piores”, destacou o presidente do conselho, que ainda completou.

“Um dos principais pontos é a questão do primeiro emprego. Pois a dificuldade para um jovem de comunidades carentes arrumar o primeiro emprego é muito grande, principalmente pela questão da educação, que no nosso Estado é muito fraca. Também é interessante ter a Polícia Comunitária, para que os policiais possam ajudar as famílias a monitorar esses jovens e não deixar que eles entrem no mundo do crime”.

Ainda em relação às mortes violentas entre jovens de 15 a 24 anos de idade, o estado civil do falecido e o local de ocorrência do óbito apresentados pela pesquisa permitem fornecer um quadro mais ampliado da questão nacionalmente. Do total de óbitos não naturais, 97,5% dos falecidos eram solteiros e 2,2% eram casados. Dentre as mulheres, o percentual de solteiras era um pouco menor (94,7%) e a proporção de casadas que morreram de causas não naturais foi o dobro da apresentada para os homens (4,4% e 2,0%, respectivamente).

No que se refere ao local de ocorrência do óbito, 47,8% dos jovens de 15 a 24 anos morreram em via pública (47,8% homens e 37,8% mulheres). As proporções de morte no domicílio foram bem diferenciadas por sexo: 16,1% dos óbitos femininos e 8,3% dos óbitos masculinos. A conjugação de um maior peso de óbitos femininos ocorridos entre mulheres casadas e no domicílio, em relação aos homens, pode ser um indicativo de violência doméstica, no qual as mulheres casadas são as principais vítimas.


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