sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Polêmica: Curso que ensina a “pegar mulher à força” é contra a lei, diz promotora

Um americano que ensina a “pegar mulher” está causando polêmica no Brasil. Julien Blanc dá palestras nas quais ensina os homens a beijar mulheres à força e assediá-las de maneira agressiva. Apresentações desse “instrutor” estão programadas para janeiro do ano que vem no Rio de Janeiro e em Florianópolis. A promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Combate à Violência Doméstica da Grande São Paulo, Maria Gabriela Prado Manssur, é uma das pessoas empenhadas em barrar a entrada dele no País.

De acordo com Maria Gabriela, Blanc vai propagar uma cultura de que as mulheres “têm que ser convencidas, às vezes, à força ou de alguma forma sedutora a manter relação sexual ou íntima de afeto com quem elas não querem”.

“Isso aqui no Brasil é considerado crime. Primeiro porque é incitação ao crime e, segundo, se faz efetivamente esses atos, é considerado abuso de vulnerável, violência física, violência psicológica, violência sexual, e a gente não pode admitir, porque o País é o sétimo no mundo com maior índice de violência contra a mulher.”

Em 2013, uma pessoa foi vítima de estupro no País a cada dez minutos, segundo dados divulgados na terça-feira (11) no 8º Anuário de Segurança Pública. Ao todo, foram 50.320 casos registrados oficialmente, o que significa uma marca de 2,9 estupros por 100 mil habitantes, segundo a publicação do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).

A promotora, que também é diretora do departamento da mulher da associação paulista do MP (Ministério Público), apoia a petição pública que pretende impedir que Blanc venha ao Brasil em 2015. Em seus discursos, o americano exalta “a cultura do estupro, crimes de agressão emocional e física contra mulheres, o racismo e o profundo desrespeito pelas mulheres”, diz o texto da petição, lançada no site Avaaz.org. Mais de 150 mil pessoas já assinaram o documento.

“Isso [o curso de Julien] vai totalmente contra ao que a gente está idealizando, está conquistando, que é participação dos homens, de forma positiva, na luta a favor dos direitos da mulher e contra a violação da sua liberdade de escolha. Esse é o principal ponto. Um homem desses vai desincentivar esse nosso projeto que está caminhando muito bem. Na verdade, a vinda dele para o País tem o único propósito de ensinar homens de uma forma que nós entendemos abusiva e contrária a lei.”

Segundo Maria Gabriela, a forma de impedir a entrada de Blanc no Brasil é negar o visto de permanência no País, já que ele deve solicitar um visto de trabalho “porque irá cobrar por palestras”.

“No visto do trabalho, você tem que falar qual é o tipo de trabalho que você vai realizar. E o tipo de trabalho que ele vai realizar não é permitido no Brasil. [...] É contrário a nossa legislação penal, a nossa Constituição Federal.”

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