quinta-feira, 9 de outubro de 2014

“Roubo d’água” agrava a seca nos municípios do Rio Grande do Norte

54y4534yA seca no Rio Grande do Norte está atingindo 152 municípios do Estado, quase 95% da totalidade das cidades potiguares. Dessas cidades, cinco estão em situação de colapso, com seus reservatórios comprometidos por falta de água para consumo humano, animal e para irrigação. De acordo com o secretário adjunto da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Luciano Cavalcanti Xavier, a seca, “por si só problemática, chega a ser ainda mais agravada por causa do roubo d’água”.

Essa “fuga” de água, provocada na maioria dos casos pelo homem do campo, é mais recorrente ao longo da calha do Rio Piranhas, que banha os estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Luciano explica que o Rio, originado da Bacia Hidrográfica Piancó-Piranhas-Açu, é quem abastece a barragem Armando Ribeiro Gonçalves, o maior reservatório do RN, capaz de garantir abastecimento para mais de 35 cidades.

“Recentemente estive com o secretário de Recursos Hídricos da Paraíba e com representantes da Agência Nacional de Água (ANA) para analisar o Plano de Recursos Hídricos da Bacia Piancó-Piranhas-Açu. Mais uma vez observamos que se trata do eixo onde tem os maiores problemas de água”, disse. “Além de existir uma dificuldade natural da água chegar aos municípios, ainda temos que lidar com as ‘fugas’, com o roubo d’água que acontece ao longo da calha do Rio”, afirmou.

Do início da Bacia Hidrográfica, que contempla os açudes Coremas e Mãe d’Água, na Paraíba, até a Barragem Armando Ribeiro, em Assu/RN, são aproximadamente 140 km de extensão de água. Cortando diversos municípios e áreas rurais, pequenos produtores acabam desviando o caminho da água para suas propriedades.

“Temos conhecimento disso, mas ainda não encontramos uma forma de impedir. Essas áreas rurais, na maioria dos casos, são regiões de difícil acesso e por isso não temos como controlar com eficiência. As pessoas se apoderam da água que não é delas. Muitas vezes roubam a água sem necessidade”, conta o secretário adjunto da Semarh.

As regras básicas para o uso da água devem seguir uma sequência de prioridade, segundo explica Luciano Cavalcanti Xavier. A água deve ser captada, em primeira ordem, para fins de consumo humano. Em sequência, para consumo animal e, por último, para irrigação.

“Não podemos deixar de abastecer as cidades. Água para consumo humano é nossa prioridade. Nem que eu pare de ceder água aos animais e às plantações, mas não podemos permitir que os municípios permaneçam em colapso, com risco das pessoas ficarem sem água. Estamos estudando uma forma de acabar com as fugas d’água e melhorar a situação dos municípios potiguares”, destacou.

O secretário Luciano Cavalcanti defende que haja um controle rígido de fiscalização da água do Rio Piranhas. “O Ministério do Meio Ambiente já controla as queimadas no país via satélite. Penso que as motobombas, existentes ao longo das calhas do Rio, também possam ser observadas via satélite. Já existe uma discussão sobre isso. Dessa forma, será mais fácil termos o controle e punir aqueles que estão desviando água indevidamente”, afirmou.

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