quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Rio Grande do Norte tem 37,4% das crianças com excesso de peso

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O acesso ao consumo experimentado por uma grande parcela da população, que subiu para a classe média, também propiciou o consumo de “produtos alimentícios” que servem mais para o prazer do paladar do que para nutrir o corpo. Esse é um dos motivos para essa transição danosa (de situação de desnutrição para sobrepeso) que as crianças realizaram na última década segunda a nutricionista funcional Fátima Nunes.

Conforme o Sistema Informatizado de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) da Secretaria de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap), há 57.268 crianças com excesso de peso no Estado. O número representa 37,4% das crianças registradas no sistema. Na outra ponta, o sistema mostra que apenas 10.930 (7,1%) apresentaram situação de desnutrição.

Com o crescimento da classe média, o mercado consumidor de produtos alimentícios cresceu no mesmo ritmo. Atualmente, as marcas, sabores e toda ordem de variação de comida que não alimenta se expandiu e essa nova classe média não se fez de rogado, foi pra cima. Mas a nutricionista alerta para a diferença entre alimento e produto alimentício. “Os produtos alimentícios são completamente industrializados e não possuem quase nenhum nutriente”, explicou Fátima Nunes.

Sobre o tratamento com as crianças, a profissional de saúde é contundente. “A indústria não tem respeito nenhum com a criança”, acentuou. “Principalmente as crianças menos favorecidas. Elas estão comendo muito mais esses produtos, como batatinha, salsicha, mortadela”, enumerou.

Ela citou vários produtos que possuem ingredientes extremamente nocivos para as crianças: biscoito recheado, biscoito água e sal, coxinha, pastel, achocolatado, cereal matinal em caixa, macarrão instantâneo, pipoca de microondas, refrigerante dentre outros. Segundo Nunes, esses produtos possuem um quarteto de violões para a saúde de pessoas de qualquer idade: sal, açúcar, gordura saturada e gordura trans. Além disso, conservantes, acidulantes e flavorizantes auxiliam no aumento das taxas de colesterol ruim por exemplo.

Em substituição a esses alimentos, ela sugere que a família coloque a disposição das crianças alimentos não industrializados. A pipoca de panela, por exemplo, é mais saudável que a feita em micro-ondas porque é possível regular a quantidade de sal e manteiga. Fátima sugere também substituir o cereal matinal em caixa por granola. Segundo ela, esse tipo de cereal feito para criança só possui o grão do milho, muitas vezes com excessivas doses de açúcar. “Diferente da granola que são vários grãos e não é industrializada”, explicou.

Os biscoitos integrais, salada de frutas, sucos não industrializados (de preferência) também são alternativas para os lanches condenados por profissionais de saúde. A nutricionista argumentou contra o velho mito de que “criança gordinha” é criança saudável. “Os obesos são desnutridos porque são gordos, mas não têm nutrientes lá dentro das células deles”, explicou.

Família

Os pais costumam a ser influência para a escolha do time de futebol, da profissão e de outros caminhos que toda criança toma na vida. Da mesma forma acontece com a alimentação e hábitos saudáveis de vida.

De acordo com Fátima Nunes, muitos pais chegam com seus filhos no consultório como se a criança fosse ré e estivesse diante de um juiz. No entanto, depois da entrevista inicial para saber o histórico de alimentação da família, os pais se surpreendem. “Todo erro está na alimentação dos pais. É aquele pai que não tem um suco na geladeira, toma refrigerante todos dos dias. Eu costumo a dizer para eles que o filho não vai a supermercado, criança não tem dinheiro”, afirmou a nutricionista.

Segundo Fátima, é muito raro chegar até ela casos em que somente a criança tem problemas de sobrepeso e a família tenha hábitos alimentares saudáveis. “Geralmente, as crianças que têm excesso de peso são aqueles que os pais trabalham o dia inteiro e ela fica no computador, no vídeo game ou em frente a televisão só comendo”, acrescentou.

Para Nunes, em casos onde toda a família tem que mudar de hábitos a missão é mais complicada. E, por incrível que pareça, a grande resistência às mudanças vem mais dos adultos do que das crianças segundo a nutricionista.

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