quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Alerta: Jogos online como Candy Crush tem levado usuários a perder dinheiro

po87o

Jogos no celular como Candy Crush, Clash of Clans, além de games em rede no Xbox e Playstation, têm extrapolado o mundo virtual e causado prejuízos financeiros na vida real.

O problema tem se ampliado à medida que empresas desenvolvedoras de games têm percebido que é possível ganhar muito dinheiro não apenas no momento da venda dos videogames e dos jogos, mas durante a sua utilização.

Geralmente, estes jogos são gratuitos, mas a sacada dos desenvolvedores é que, à medida em que o jogador evolui, e vicia, no game, o usuário pode comprar itens dentro do jogo que melhoram o seu desempenho e permitem ultrapassar os níveis mais difíceis do jogo.

“O aumento dos gastos em jogos virtuais já preocupamadministradoras de cartões por conta de fraudes e cobranças indevidas. O tema também tem ganhado atenção em simpósios sobre educação financeira”, diz José Vignoli, educador financeiro do Meu Bolso Feliz, portal de educação financeira da empresa de informações sobre crédito SPC Brasil.
A lista dos aplicativos gratuitos mais rentáveis para celulares da Apple prova que a estratégia tem dado certo: oito dos dez apps mais rentáveis são jogos, entre eles o popular Candy Crush, cujo objetivo é combinar peças em um quebra-cabeça.

O aplicativo que cobra por ligações telefônicas internacionais Skype e a rede de contatos profissionais LinkedIn aparecem em 13º e 21º lugar.

A Super Cell, empresa americana que tem dois jogos entre os dez mais rentáveis na lista, o Clash of Clans e o Hay Day, já faturava, no ano passado, 2,4 milhões de dólares por dia, de acordo com a Forbes.

O Clash of Clans, que é um dos mais rentáveis em 122 países, inclusive no Brasil, tem como objetivo criar um exército para resistir a ataques inimigos.

Atualizado periodicamente, o jogo mantém o interesse dos jogadores. Caso os usuários deixem de jogar por algum tempo, o desempenho no game cai.

Para construir estruturas que defendam as tropas de forma mais rápida, os jogadores podem comprar pacotes que custam de 9,99 dólares a 99,99 dólares.

Em consoles, como o Xbox, o gasto também pode ser alto. Além de pagar cerca de 2 mil reais pela aquisição da última atualização do videogame, que é vendida com um jogo, o usuário pode ter de pagar 200 reais apenas por uma atualização deste jogo. Além disso, o jogador pode gastar 100 reais por ano para jogar online com outros usuários.

No Brasil, 45,2 milhões de pessoas são usuárias frequentes de games e o país já é o quinto maior mercado do mundo, à frente de países como Reino Unido, Alemanha e Espanha, segundo levantamento do site Canaltech com dados da empresa de pesquisa eMarketer, realizado no ano passado.

A mesma pesquisa mostra que o faturamento com jogos digitais no Brasil deve chegar a 2 bilhões de dólares este ano, o dobro do valor registrado em 2011.

Paulo Roberto Ferro Junior, 35 anos, vive em São Paulo e já teve dívidas por causa dos games. Durante três anos ele se descontrolou e chegou a gastar 600 reais em um mês com a brincadeira.

Paulo tem dois videogames XBox e 90 jogos, comprados durante os últimos dois anos e meio. Como cada jogo custa, em média, 120 reais, e os consoles cerca de 2 mil reais, o gasto total foi de cerca de 15 mil reais no período.

Ele também costuma comprar alguns itens vendidos nos games. “Já gastei entre 20 reais a 100 reais para comprar os melhores itens de cada jogo. Eram itens que não dependiam do meu desempenho no game, eles apenas poderiam ser adquiridos se fossem comprados”, conta.

Casado e com dois filhos, ele começou a se controlar após entrar em algumas brigas com a esposa. Hoje, ele reduziu os gastos com games a 80 reais por mês, passou a anotar as despesas em uma planilha e descobriu maneiras de dividir gastos com outros jogadores.

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