segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Globo Rural destaca paixão do nordestino pela sanfona

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Seja nas grandes festas de época ou em um simples arrasta-pé, a sanfona aparece como destaque do trio musical mais popular do Nordeste, ao lado da zabumba e do triângulo.A sanfona foi criada há muito tempo, do outro lado do mundo. Os registros históricos relatam o aparecimento de um instrumento na China, chamado cheng, 2.700 anos antes de Cristo, como o precursor da sanfona. Mas foi na Europa, especialmente na Itália, a partir do século 17, que ela se modernizou, passando por várias transformações até chegar nos moldes que conhecemos hoje.

No município de Jardim do Seridó vive José Amazan Silva, um sanfoneiro famoso no Nordeste. Com 25 anos de carreira, trinta CDs gravados e quatro DVDs. “A partir dos oito anos de idade eu já estava aqui nesses caminhos no Seridó, com minha mãe, em busca da sobrevivência”, conta. O talento de Amazan fez com que ele deixasse para trás o trabalho duro na caatinga para assumir os palcos com sua sanfona. “Eu sobrevivia carregando lenha. Não era uma vida fácil, a gente tinha as mãos calejadas da foice, do machado e das furadas do espinho da jurema”, diz.

Foi por acaso que a sanfona entrou na vida do Amazan, quando ele tinha 16 anos. “Um primo meu veio ficar lá em casa uns dias e trouxe uma sanfoninha velha. Quando ele saiu, eu peguei escondido e comecei catucando nas teclas. Com três dias, eu fiz uma introdução, por isso acharam que eu tinha talento”, afirma. Dizem os músicos mais experientes que para uma pessoa tocar sanfona, são necessários no mínimo oito meses de muita dedicação. Agora, para passar de tocador a sanfoneiro, desses arretados que animam bailes e forró no Nordeste, é preciso mais de ano, e claro que talento nessa hora conta muito.

Talento, Amazan tem de sobra. Com apenas três meses “catucando” nas teclas da sanfona, já tinha espaço nas festas de Jardim de Seridó e região. “Pra mim a sanfona é tudo, né? Uma companheira, um meio de sobrevivência que me deu oportunidade de melhorar um pouquinho de vida. A sanfona, não tenha dúvida, é a deusa da música pro nordestino”, diz. A relação de Amazan com a sanfona é tão forte que ele não ficou satisfeito apenas em ganhar os palcos tocando o instrumento. Decidiu dar vida a elas, por isso, montou uma das quatro fábricas existentes hoje no Brasil, no município de Campina Grande, no estado da Paraíba.

“Uma vez eu consertei a sanfona de um amigo, que me deu a ideia: ‘você devia colocar uma fábrica de sanfona’. Então eu já cheguei aqui determinado a colocar essa fábrica de sanfona e aí comecei a ver como é que eu poderia fazer. Procurei matéria prima aqui no Brasil e não encontrei. Aí eu fui ao velho mundo, a Itália, com o propósito de trazer a tecnologia pra montar a fábrica de acordeons”, conta.


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